Há uma diferença entre nunca teres sabido o que querias e chegares a um momento em que deixaste de saber.
No segundo caso, alguma coisa existia antes.
Havia uma ideia. Um plano. Uma versão de futuro que parecia suficientemente tua para continuares a caminhar naquela direção.
Só que agora perguntas-te o que queres e a resposta que costumavas dar já não convence.
Nem sempre estar perdido significa não ter caminho
Às vezes o que desapareceu não foi a tua capacidade de escolher.
Foi a ligação a uma escolha antiga.
Continuas talvez no mesmo trabalho, na mesma relação, na mesma rotina ou a perseguir um objetivo que durante muito tempo fez sentido. Mas aquilo que antes parecia uma direção começa a parecer apenas continuidade.
Isso não quer dizer automaticamente que devas mudar tudo.
Quer apenas dizer que alguma coisa merece ser observada.
Repara no que começou a pesar sem razão evidente
Há coisas que não estão propriamente erradas e, mesmo assim, deixaram de ser leves.
- Uma conversa que antes te entusiasmava começa a cansar.
- Uma meta que querias muito atingir já não provoca grande coisa quando imaginas lá chegar.
- Um plano continua a parecer lógico, mas já não sentes aquela vontade de o defender.
Nem sempre conseguimos explicar imediatamente estas mudanças.
Mas elas também são informação.
Não precisas de inventar já uma nova resposta
Quando percebes que já não sabes o que queres, é fácil começar logo à procura de uma substituição.
Então o que faço agora? Qual é o meu propósito? Para onde vou?
Talvez ainda seja cedo para essas perguntas.
Antes de procurares uma nova direção, pode ser mais útil perceber o que deixou de te servir na antiga:
- O que perdeu significado.
- O que continuas a fazer apenas porque já estava decidido.
- E o que ainda te desperta alguma coisa quando ninguém te está a pedir uma resposta.
Uma direção não precisa de nascer pronta
É neste tipo de momento que o Intoma Purpose pode fazer sentido.
Não para te dizer qual é o teu propósito ou escolher o caminho por ti, mas para organizar aquilo que já está presente: interesses, padrões, desejos, resistências, capacidades e aquilo que continuas a procurar mesmo quando não lhe dás esse nome.
Talvez ainda não saibas o que queres.
Mas podes começar por reconhecer o que já não queres continuar a fingir que ainda serve.
