É segunda-feira de manhã e abres o computador como sempre abriste, mas hoje falta qualquer coisa.
Não é cansaço, já sabes distinguir isso. É outra coisa: a sensação de que, mesmo que fizesses tudo o que a lista pede, não haveria propriamente vontade de chegar a lado nenhum com isso.
Fechas a aba do email antes de a abrires de todo e ficas ali, sem saber bem o que se passou entre a pessoa que começou este trabalho e a que está agora sentada a olhar para ele.
Não é necessariamente um problema de carreira, mesmo que pareça um.
Podias mudar de emprego amanhã e, ainda assim, descobrir que a sensação não ficou para trás.
O que mudou talvez não tenha sido a função nem o horário. Pode ser outra coisa mais difícil de apontar: aquilo que antes fazia sentido deixou, silenciosamente, de fazer.
Ninguém anunciou a mudança. Ela simplesmente aconteceu, algures entre um dia normal e o seguinte.
Antes de escolher o próximo destino
A tentação, nestas alturas, é ir logo à procura do próximo destino.
Um curso novo, uma mudança de cidade, um projecto que finalmente seja “a sério”.
Mas escolher o próximo passo sem perceber o que deixou de caber pode acabar por levar-te ao que já conheces, só que com uma paisagem nova à volta.
Talvez seja mais útil parar primeiro numa pergunta menos ambiciosa: o que continua a puxar-te, mesmo quando tentas ignorá-lo.
Também o que perdeu sentido, mas continuas a fazer por inércia, ou porque ainda não tens uma alternativa pronta.
E há a diferença simples entre o que fazes por expectativa dos outros e o que farias se não tivesses de justificar a escolha a ninguém.
Antes de escolheres o próximo destino, talvez precises de perceber o que deixou de caber.
Estas pistas não se resolvem numa tarde, e não têm de se transformar já numa decisão.
Servem sobretudo para separar o que é realmente teu daquilo que foste apanhando pelo caminho, sem nunca teres escolhido de facto.
Uma direção possível
É aqui que entra o Intoma Purpose.
Não promete dizer-te qual é o teu propósito de vida, nem te entrega uma missão pronta a seguir.
Organiza aquilo que já trazes contigo, o que continua a puxar, o que já não faz sentido, o que fazes por ti e o que fazes por obrigação, e devolve-te uma direção possível.
Não uma sentença.
Um sítio onde começar.
Ainda vais fechar o computador, nalguma segunda-feira destas, sem saber ao certo o que vem a seguir.
Mas talvez já consigas dizer, com mais clareza, o que já não queres continuar a carregar contigo.
